A impunidade que ainda premia alguns integrantes da organização criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos no país, está permitindo que caminhões-cegonha carregados continuem sendo alvo de incêndios nas rodovias brasileiras. Na última sexta-feira, mais um caminhão carregado com veículos da marca Hyundai foi incendiado por elementos comandados pelo cartel, formado, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, por executivos de transportadoras de veículos e líderes sindicais.
Apesar da condenação em primeira instância do diretor de assuntos institucionais da General Motors, Luiz Moan Yabiku Júnior, do ex-presidente do Sindicam, Aliberto Alves e do ex-presidente da ANTV, Paulo Roberto Guedes, além do processo criminal contra outros 12 executivos de transportadoras, mais o ex-presidente do Sindicam Aliberto Alves e o presidente da ANTV, Luiz Ferrari, os atos criminosos continuam.
Somente no ano passado, 10 caminhões-cegonha foram queimados de duas transportadoras que não se alinharam ao cartel. Os prejuízos superam a marca dos R$ 5 milhões. E, mesmo com denúncias formalizadas contra pessoas identificadas, um delas já presa e posteriormente liberada, os vândalos a serviço do cartel continuam agindo livremente.
Em 31 de março do ano passado, líderes sindicais não alinhados ao cartel, donos de transportadoras igualmente contrários à formação do cartel, junto com os diretores da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e do então ministro Tarso Genro, levaram a preocupação com relação aos acontecimentos que, até agora, não apresentaram vítimas fatais.
Nessa reunião, ocorrida em Brasília, o então ministro Tarso Genro, atual candidato do PT ao governo do Estado do Rio Grande do Sul, prometeu providências. Mas ao que sabe, até agora, decorridos um ano, nada foi feito. Os incendiários continuam agindo sem demonstrarem a menor preocupação com as autoridades constituídas deste país.
Um empresário encaminhou correspondência eletrônica a todas as autoridades pedindo providências. Mas elas não chegam, quem sabe por força do poder econômico que representa o chamado cartel dos cegonheiros. Pelo teor do texto, dá para perceber que as autoridades ainda não tiveram força suficiente para acabar com esta prática de crimes que tem causado enorme tensão entre os motoristas que diariamente cortam as rodovias brasileiras e que, à noite, são obrigados a parar em postos de gasolina para pernoitar.
No total, de acordo com a correspondência enviada aos órgãos competentes, o número de veículos novos queimados totalmente já chega a 69. Em tom de desabafo, o empresário diz que para comemorar um ano de incêndios criminosos, na madrugada da última sexta-feira, dia 26 de março deste ano, às 02h30min, no Auto Posto Planalto, localizado na rodovia BR-153, quilômetro 1.470, no município de Itaumbiara-GO, elementos ligados ao cartel dos cegonheiros incentidaram completamente um caminhão carregado com 10 automóveis. A queima foi completa. Além da carga queimada, o motorista foi agredido por um dos incendiários, quando tentava apagar o fogo.
Ainda de acordo com o relato do empresário, “a situação está insustentável. Os prejuízos já ultrapassam os R$ 5 milhões, já tivemos 11 motoristas que correram sério risco de morrerem queimados dentro dos caminhões, e mesmo assim as instituições de combate ao crime organizado e formação de cartel não tomam medidas enérgicas para combater estes criminosos. Até quando teremos que conviver com esta situação?”, indaga.
Para esse diretor, “nas diversas denúncias protocoladas nos organismos referidos, foi informado os nomes e endereços dos indivíduos envolvidos nestas atividades criminosas, porém até o momento nenhum deles sequer foi intimado para prestar qualquer esclarecimento a Polícia ou ao Ministério Público”, assegura.
A seguir, o website investigativo http://www.anticartel.com/ publica novamente em Box, os nomes dos denunciados pelo Ministério Público Federal por formação de cartel e até de quadrilha, no setor de transporte de veículos novos.