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Professor Maritônio
30 perguntas sem respostas
 
03/11/2003
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Mesmo depois de deflagrada a operação “Fala, Lula”, no curso da qual os jornais foram convertidos em publicadores de respostas sem indagações, Primeira Leitura se atreve a fazer 30 perguntas ao presidente da República. O leitor há de julgar: se forem irrelevantes, prova-se o ressentimento desta revista. Se fizerem sentido, são o que são: perguntas sem resposta

Por Reinaldo Azevedo e Rui Nogueira

O texto que se começa a escrever aqui pretende entender o que está em curso na relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a mídia. O fato a ser pensado é o seguinte: este é um governo que tem publicadas respostas demais e, com certeza, perguntas de menos. Se o fenômeno a poucos incomoda, esta Primeira Leitura integra, com certeza, esse reduzido grupo.


O emblema dessa constatação se viu nos jornais, no mês passado, na esteira de uma coletiva convocada pela Presidência da República para o dia 20 de agosto, uma quarta-feira. A equipe de comunicação do presidente escolheu dois jornalistas de cada um dos chamados grandes jornais e os levou para um café da manhã no Planalto. No dia seguinte, as “respostas” de Lula estavam publicadas, na forma de blocos temáticos, nas páginas de todos os veículos convocados. As perguntas foram omitidas ou porque se quis economizar espaço ou porque se entendeu que as respostas levariam o leitor a deduzir as indagações.

A conversa com o presidente, com cara e jeito de entrevista, mas que não é uma entrevista, foi apenas um dos problemas – não o menor deles – de todo aquele procedimento. A leitura do relato do encontro evidenciou a camisa-de-força imposta por um motivo a mais: em circunstâncias normais, a excelência profissional dos jornalistas convidados jamais permitiria que eles deixassem o Planalto levando em seus bloquinhos de anotação uma coleção de buracos negros, feitos da ausência de réplicas e tréplicas.

“Os jornais foram tratados como veículos de segunda classe. Lula já havia concedido entrevista exclusiva à Veja – com as perguntas
devidamente publicadas – e já havia caminhado à volta do lago em companhia dos repórteres do Fantástico

Inaugurava-se ali o chamado “anacoluto jornalístico”: os blocos de “respostas” não conversavam entre si nem tinham antecedência ou conseqüência. O mundo da política, enfim, parecia reduzido a uma espécie de universo leibniziano. Os temas sobre os quais Lula fez digressões eram mônadas, unidades autônomas, mas reunidas pela divindade da hora: a fala oficial. O resultado final deu no que deu: menos uma entrevista e mais a ata de um encontro. Ocorre que o poder sempre obedece a uma sintaxe, por mais maluca ou caduca que seja. No caso do governo Lula, esta revista e seu site não se cansam de repetir: mesmo o que parece maluquice é método. Relacionar-se com ele na base dos anacolutos é emaranhar-se no cipoal, no labirinto, na perda da perspectiva histórica a que o jornalismo não é alheio.

Torneiro mecânico Foi de tal ordem o vazio de respostas sem perguntas que, menos de uma semana depois, em outra entrevista, em outro contexto, o jornal Folha de S.Paulo, por meio da jornalista Eliane Cantanhêde – que também havia estado no café da manhã do dia 20 –, arrancava de Lula, com duas perguntas bem postas, a rejeição do presidente à idéia de que ele seja ou tenha sido, alguma vez, um homem, sindicalista ou político de “esquerda”. A declaração se deu em Caracas, capital venezuelana, no dia 26 de agosto. E por que Cantanhêde fez as perguntas? Escreveu ela na Folha: “Porque [Lula, ao lado do presidente Hugo Chávez,] havia feito um discurso contundente de esquerda contra os países ricos, enquanto, no Brasil, seu governo é elogiado pelas elites e pelo capital, mas enfrenta a oposição justamente da esquerda”.


Bingo! Não basta saber que Lula nega ter sido um dia de esquerda. A relevância da resposta só faz sentido em face da circunstância, da pergunta. E convenha-se: não é necessário ser especialista em Ortega y Gasset para sabê-lo. Se, no caso daquela resposta, o fator antecedente explica o presente, o jornalismo conseqüente há que fazer a sua parte. Só assim se pode compreender a importância histórica daquela negativa. Na resposta dada na Venezuela, ele próprio lembrou que houvera dito, havia muito, quando indagado sobre sua ideologia, ser apenas “um torneiro mecânico”.

CAFÉ DA MANHÃ NO PLANALTO: Lula e a primeira-dama recebem jornalistas. Puderam comer, mas não ligar o gravador

Disse mesmo. Respondia, em 1982, num debate entre candidatos ao governo de São Paulo, a uma pergunta de Rogê Ferreira, esquerdista assumido, do PDT de Brizola. Lula – então a estrela sindical de um partido formado pela esquerda católica e por egressos de uma miríade de partidos e agrupamentos esquerdistas, liderança de uma legenda que se dizia socialista e tinha como lema “Terra, Trabalho e Liberdade” – assegurava a Ferreira, com ironia, ser apenas “um torneiro mecânico”. Os intelectuais petistas, que tomavam boa parte da platéia da TV Bandeirantes, aplaudiram em êxtase. Nascia ali um espantoso namoro entre parte da intelectualidade uspiana e o antiintelectualismo. Não espanta que, em mais de 20 anos de oposição, o partido não tenha conseguido formular um programa de governo minimamente consistente e tenha tido de, uma vez no poder e abandonada a tese da ruptura, socorrer-se da herança malanista.

Se, em 1982, vá lá, uma ditadura, mesmo moribunda (Lula a tem elogiado amiúde...), até poderia transformar em justo cuidado o que não passa de uma tolice em qualquer tempo, que pejo haveria de ter Lula em 2003 diante de pergunta semelhante? Nessas horas, sempre se pode sacar um Norberto Bobbio e optar pelo caminho da facilidade: “Se estar comprometido com a justiça social é ser de esquerda, então sou de esquerda”. Pronto! E os mercados, presidente, continuariam no otimismo de sempre, porque estão mesmo de olho é na ortodoxia que ousa dizer seu nome, não no presidente que ousa esbulhar seu próprio passado.

Entrevista para quê? O que se diz aqui, em suma, é que essas duas e aparentemente singelas perguntas de Cantanhêde valeram muito mais do que toda a entrevista publicada pelos jornais, que, de resto, cometeram o pecado de ficar muito aquém do que a revista Veja já havia publicado e, espantoso!, do que Pedro Bial e Glória Maria haviam conseguido “arrancar” do presidente com aquela contundência que honra e consola o jornalismo...

Da entrevista da revista, restaram, quando menos, duas questões fundamentais: a blindagem do ministro Antonio Palocci e o claro recuo de Lula no confronto com as agências reguladoras. No caso do Fantástico, viram-se ali o mesmo Palocci a acompanhar o presidente na caminhada, a notável pressão arterial de ambos (eis dois homens que não se abalam...) e, bem..., Lula a dar farelo aos peixes e a conversar com um serviçal de companheiro para companheiro. Alguém aí se lembra do que o presidente disse aos jornais? Provavelmente, nem ele.

Voltemos à Venezuela. O que aconteceu em Caracas, a explicitação do artificialismo do discurso esquerdista saído da boca de um não-esquerdista, impõe como inimaginável que se possa ouvir, no Brasil, o presidente da República a falar em reforma agrária pacífica, nos limites da lei, e não se queira saber dele por que seu governo não aplica, enfim, a lei... Que nada tem a ver com a polícia contra os movimentos sociais, como marotamente insiste em confundir o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. A medida provisória antiinvasões, a 2.183, proíbe a vistoria de terras invadidas e o assentamento de quem as invadiu. A pergunte embute, no mínimo, a curiosidade política de saber por que o governo do PT nem aplica a medida nem encaminha sua revogação. Seria a prática esquerdizante de um não-esquerdista?

Ética e gravador Não se trata aqui de aplicar pechas ou tachas nos jornalistas escalados para o café da manhã no Planalto. Sua ética profissional não esteve e não está sob ataque especulativo. Mas, é fato, em circunstâncias como aquela, sempre é bom que um gravador ligado, o que era proibido (?), colabore com o exercício do padrão ético, por mais refinado que ele já seja. Mais ainda: algo de inusual se deu com aquele pool de jornais, tratados, obviamente, como veículos de segunda classe.

 

É FANTÁSTICO: nas fotos, o casal Lula, o casal Palocci e o casal Fantástico. A reportagem também respirou ares de turista acidental
Afinal, Lula já havia concedido a entrevista exclusiva à Veja – com as perguntas devidamente publicadas – e já havia caminhado à volta do lago em companhia do Fantástico. Ora, se os profissionais de jornal não puderam gravar suas perguntas e as respostas do entrevistado, o tratamento dispensado à televisão ou indica privilégio inaceitável ou prévia combinação sobre o que podia e não poderia ser perguntado.
Curiosidades e deveres profissionais à parte, nenhuma entrevista é um interrogatório policial, e nenhum entrevistador tem o direito de querer transformá-la em uma sessão de tortura. É desejável, portanto, que perguntas e respostas educadas sejam permeadas pela habilidade de um presidente que tente evitar o incômodo dos questionamentos e saiba levar a conversa para o terreno que mais lhe interessar. A diferença, em relação ao café da manhã, é que, nesse caso, entrevistadores e entrevistado oferecem aos leitores o roteiro das regras em que o jogo foi jogado e deixam que eles avaliem os movimentos táticos de cada um.

O manual do café só existiu porque havia algo de, digamos, estrutural, de reordenador, naquela seqüência de fatos. Não custa lembrá-la: 1) entrevista para a revista Veja; 2) entrevista para o Fantástico; 3) entrevista para o pool de jornais (com seleção prévia de jornalistas e proibição de gravador); 4) entrevista para a mídia estrangeira. Foi tudo tão estruturado, que só faltava a comprovação científica do resultado. A prova veio, na seqüência, quando o instituto de pesquisa Sensus, de Belo Horizonte, foi às ruas fazer o tradicional levantamento mensal de avaliação do governo e das políticas públicas adotadas. Deu o óbvio: a conjugação da queda das taxas de juros com as boas “entrevistas” (quando a mídia blindou o presidente e o presidente blindou Palocci) resultou num Lula com a popularidade estável lá nas alturas. Elementar.

Reparem: não se está aqui a dizer que foi a mandracaria midiática que garantiu esse bom desempenho. A operação foi inequivocamente bem-sucedida, mas é muito provável que os (e)leitores continuassem a ter o mesmo sentimento em relação ao governo e ao presidente da República se tivessem lido suas entrevistas sem a pré-produção palaciana. O desígnio de fazer bem feito o trabalho jornalístico, independentemente dos resultados, pertence à mídia, não aos assessores de Lula.

À imprensa não cabe se esmerar para tentar atrapalhar o destino do presidente, pois o governo não é time pelo qual se torça a favor ou contra. Ao governo não cabe manipular a mídia – até porque, segundo os especialistas, Lula fatura a popularidade mais pela forma como diz do que pelo que diz. Como torneiro mecânico e candidato ao governo de São Paulo, em 1982, candidato à Presidência em 1989, 1994, 1998 e 2002, e como presidente desde janeiro passado, a marca perene do discurso político é o diagnóstico vago, mas dramático, dos problemas, e uma atroz falta do que dizer. Em contrapartida, confessou o próprio Lula durante um encontro na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em dezembro do ano passado: “Quando eu era pequeno, era doido por uma tapioca, agora sou doido por um microfone”.

Cuidado excessivo A conspiração é o ar que se respira nos ambientes palacianos. Na relação do governo com a imprensa, especialmente a impressa, alguns assessores, de enorme batalhão, se destacam pela crispação da linguagem e por uma disposição de contida beligerância. Consolida-se em certos nichos de poder a percepção de que “o pessoal da imprensa” está em busca do ato falho, do esgar, da exceção, da nota dissonante. É um caso notório de amor não correspondido, a se julgarem a coincidência da agenda de boa parte do jornalismo com a do governo e a rigorosa inversão da disposição subjetiva dos profissionais de imprensa.


SADE E RESTIF DE LA BRETONNE: seriam jornalistas do seu tempo?

Se, durante o governo FHC, partia-se do pressuposto de que todo ato oficial escondia um truque; no de Lula, toda incongruência passa por mero truque ou tática para enganar os conservadores... O corolário é, pois, o seguinte: ainda que o PSDB e o PFL defendessem alguma tese progressista, era apenas aparência a trair sua essência reacionária; logo, o mal lhes era imanente. No caso do PT, ainda que uma proposta semelhe reacionária ou regressiva, trata-se apenas de uma acomodação para alcançar um objetivo progressista em sua essência. O bem lhe é imanente. Eis por que uma parte do jornalismo expressa o fel da indignação quando alguns tucanos e pefelistas hoje falam contra as reformas, mas considera um enorme avanço quando o petismo fala a favor. O mal e o bem, como estruturas arcaicas do pensamento, dispensam conteúdos.

O Palácio conta com essa inércia e supõe que entrevistas, contato com a mídia, não agregam valor ao que já se tem. Ademais, vê-se, no mais das vezes, não perde nada em contar com a sabujice daqueles a quem rejeita.


O engraçado é que, a se dar crédito a especialistas em opinião pública, esse aproach ranzinza é uma desnecessidade. Para Marcus Figueiredo, por exemplo, professor e diretor de Pesquisas do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro), “o ganho maior do presidente Lula assenta no discurso que é popular, mas está longe de ser populista”. Goste-se ou não das metáforas, Figueiredo diz que a essência do discurso presidencial reside no fato de que Lula “não joga para dividir” – ao contrário do que fizeram os presidente Fernando Collor, que opôs os descamisados à elite, e Getúlio Vargas, que, no segundo mandato, dividiu o país entre “trabalhadores do Brasil” e “elite entreguista”.

Com oito meses de governo Lula, Adélia Franceschini, da A. Franceschini Análises de Mercados, diz que as pesquisas qualitativas mostram um eleitor que rejeita cobranças prematuras. Existe, segundo ela, a percepção de que havia uma “bomba-relógio econômica” armada e que o presidente soube desarmá-la. Adélia chama a atenção, no entanto, para detalhes que não freqüentam a mídia e parecem passar ao largo das preocupações da equipe econômica do governo Lula. Todas as pesquisas antes, durante e depois da campanha eleitoral exibem o desemprego e a área social como questões centrais a serem tratadas pelo governo. “O discurso de Lula funciona bem, pode receber reparos quanto à forma, mas o mais importante é que é um discurso simples e agregador. A questão é que os índices de desemprego e os programas sociais impõem-lhe um prazo de validade”, afirma Adélia em conversa com Primeira Leitura. Taxas de risco em baixa, dólar sob controle, índice Ibovespa a subir e inflação controlada podem ser, portanto, pouco mais do que sintomas de “continuidade bem continuada”. Nada disso quer dizer que a população acatará, sem prazo de validade, um discurso descolado do crescimento da economia, da diminuição do desemprego e de uma assistência social eficiente.

Sílvio Pires de Paula, presidente da Associação Brasileira de Institutos de Pesquisa de Mercado (Abipeme), acha que as pessoas estão interpretando as metáforas e o palavreado popular usados pelo presidente como instrumentos naturais de comunicação. “Não há artificialismo quando Lula trata a primeira-dama, dona Marisa, como ‘minha galega’. Da boca dele saiu uma frase que é usual no Nordeste e em outras regiões e soou como um tratamento que as mulheres não rejeitariam na forma como Lula se expressou. Ele tem noção do que pode usar bem, e com naturalidade, e do que tem de usar com cautela”, avalia o presidente da Abipeme.

Figueiredo, Adélia e Pires trataram do discurso livre, leve e solto do presidente, o que deveria servir de excelente argumento em favor de uma entrevista de verdade com o presidente. Se o resultado final for o que se viu até aqui, tanto melhor para o governo. Para Primeira Leitura, nada a perder ou a ganhar se o presidente se der bem ou mal numa entrevista. Nós cumprimos o nosso papel profissional, e o presidente, o papel político dele. O que não vale é tratar o mais alto funcionário público da República como se ele ainda fosse um torneiro mecânico de tal sorte endeusado que não pode ser atingido por uma pergunta sobre a sua própria aposentadoria especial, de quase R$ 4 mil, num momento em que seu governo transformou a aposentadoria especial num item da cidadania.

Sade e Restif de la Bretonne Por tudo isso, cumpre advertir: defendam-se da hipótese, todos os que lêem este texto, de que estejamos algo ressentidos. Será? Estamos tentando entrevistar Lula há mais de dois anos. Desde agosto de 2001, quando publicamos uma capa com José Dirceu à frente da bandeira do Brasil e chamávamos a atenção para um PT que revia seus dogmas e se profissionalizava para a disputa, temos tentado falar com Luiz Inácio Lula da Silva. Setores da mídia que hoje o saúdam por renegar seu passado esquerdista estavam então preocupados com o PT da ruptura e na busca desesperada de uma alternativa conservadora... Vejam como contexto faz falta ao contar a história!


PRECOCE: capa da revista de agosto de 2001 (pré-reformulação). Vimos ali o que chamam novo PT
Sabemos ainda que ninguém consegue ser um historiador absolutamente isento de seu tempo. A particularidade tende a turvar a idéia geral; o fato marginal acaba, com freqüência (e isso só se vê depois), ocupando o centro de nossas atenções. A rigor, o jornalismo é o relato mais vigoroso da contemporaneidade e servirá de fonte de consulta, mais tarde, ao pesquisador. “Particularistas” em seu próprio tempo tendem a ser grandes ilustradores factuais da pesquisa histórica. Assim, pode-se buscar o espírito da Revolução Francesa no proselitismo de seus pregadores, naqueles comprometidos com a causa, ou ainda em seus fervorosos adversários e detratores. Mas certamente um Restif de la Bretonne – que tem muito de jornalismo em seu Noites Revolucionárias – e um Marquês de Sade – que viu a revolução segundo as maluquices, ainda que sonhadas, de sua alcova – também carregam o sentido daquela época.


As contribuições desses autores à compreensão do período, no entanto, serão apenas uma nota de rodapé se não houver uma idéia geral que as organize. Um documento sobre os títulos de propriedade rural na década de 1780 também ilustraria o fato; poder-se-ia ainda recorrer ao cardápio dos camponeses e burgueses para ter um flagrante da revolução segundo o consumo de proteínas e vitaminas. O estudo da vestimenta de época também pode ser uma bela metonímia do período. Mas tudo isso é o que é: metonímia, mera tentativa de entender o todo magnificando uma parte. Mas é dado que o “todo” tem de estar entendido, ou o que é para ser história do cotidiano se transforma em fofoca para animar aula de cursinho pré-vestibular.


Falou-se aqui de “anacoluto jornalístico” e do poder que obedece a uma sintaxe, a uma ordem, a um ordenamento. Karl Marx, com o saco cheio dos idealistas e utópicos, soltou uma máxima que tem um pé no obscurantismo. Queria que os filósofos já tivessem pensado o mundo o que bastava; cumpria transformá-lo... Justo ele, um teórico de mão cheia, parecia entregar-se a um ativismo doidivanas. Não era isso, e nem cumpre aqui cuidar agora desse assunto. Opta-se, em verdade, pela paráfrase. O governo já deu respostas que bastam para transformar o Brasil; cumpre-nos, parece, ao menos a esta Primeira Leitura, fazer perguntas novas. É o que se faz aqui.

Se o presidente nos conceder uma entrevista, com gravador, tanto melhor. Não concedendo, seguem perguntas inéditas para respostas que ninguém deu.

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